Mudar de comercializador de eletricidade 3 vezes em menos de 1 ano
- Gabinete PROJECT@

- 23 de jul.
- 4 min de leitura
Atualizado: 27 de jul.

Nos últimos meses vivi uma experiência que muitos portugueses acabam por enfrentar: a procura da melhor solução para a eletricidade de casa.
Comecei por ser cliente da Galp, mudei depois para a G9 e, mais recentemente, decidi aderir à Goldenergy. No meio deste percurso, confirmei uma conclusão que gostaria de partilhar: o consumidor informado tem muito mais poder do que imagina.
A ilusão da fidelidade
Durante muitos anos, grande parte dos consumidores manteve-se no mesmo fornecedor de energia por hábito. Não porque fosse o mais barato, mas porque mudar parecia complicado.
Hoje sabemos que não é assim.
A mudança de comercializador é gratuita, não implica cortes de energia, não exige alterações técnicas na instalação e pode ser feita em poucos dias.
Foi precisamente por isso que decidi analisar a minha situação.
Da Galp para a G9
Ao comparar as minhas faturas, descobri que a Galp me estava a cobrar um preço global da energia significativamente superior ao que encontrei posteriormente na G9.
Na prática, a G9 apresentava um custo por kWh bastante mais competitivo, permitindo uma poupança relevante ao longo do ano. citeturn9search2turn2search1
A mudança correu bem e durante alguns meses fiquei bastante satisfeito com a decisão.
Aqui fica uma primeira lição:
Não devemos avaliar uma empresa pela notoriedade da marca, mas pelos números concretos da nossa fatura.
O que diziam realmente as minhas faturas
Como filósofo, valorizo os argumentos. Como consumidor, valorizo os factos. Antes de tomar qualquer decisão, fui comparar os números das minhas faturas.
Empresa | Energia (€/kWh) | Potência (€/dia) |
Galp | 0,1567 | 0,4332 |
G9 | 0,1348 | 0,4252 |
Goldenergy | 0,1399 | 0,4499* |
* Potência contratada de 4,6 kVA.
A primeira conclusão foi surpreendente: a diferença entre a Galp e a G9 representava cerca de 14% no preço da energia consumida.
A segunda conclusão foi ainda mais importante: a poupança não depende apenas do comercializador, mas também da potência contratada.
Galp
Na minha última fase como cliente Galp, o preço global da eletricidade era:
Energia: 0,1567 €/kWh
Potência: 0,4332 €/dia (5,75 kVA)
A própria Galp indicava na fatura que, comparando com a tarifa regulada, eu teria pago mais 7,37 € sem taxas e impostos.
G9
Quando mudei para a G9 encontrei um tarifário muito mais competitivo:
Energia: 0,1348 €/kWh
Potência: 0,4252 €/dia (5,75 kVA)
Além disso, a própria empresa informava que, naquele período, eu estava a pagar cerca de 4,96 € menos do que no mercado regulado.
Goldenergy
Quando a G9 comunicou que deixaria de disponibilizar tarifários fixos e passaria a disponibilizar apenas uma modalidade indexada ao mercado OMIE, decidi voltar a analisar o mercado.
A minha escolha foi:
Goldenergy Digital;
potência reduzida para 4,6 kVA;
débito direto;
fatura eletrónica;
ausência de fidelização.
O tarifário contratado apresenta aproximadamente:
Energia: 0,1399 €/kWh;
Potência: 0,4499 €/dia (4,6 kVA).
Ou seja, o preço da energia é ligeiramente superior ao da G9 promocional, mas continua significativamente abaixo do que eu pagava na Galp.
Quanto poupei?
Com um consumo médio anual de cerca de 3.372 kWh, a diferença entre a Galp e a G9 representava uma poupança próxima dos 74 € por ano apenas na componente da energia.
E isso sem considerar futuras poupanças decorrentes da redução da potência contratada.
Quando uma boa escolha deixa de o ser
Poucos meses depois recebi uma comunicação da G9.
A empresa informava que deixaria de disponibilizar tarifários de preço fixo e que os clientes passariam a ter acesso apenas a uma modalidade indexada ao mercado ibérico de energia (OMIE).
Ou seja, o preço passaria a oscilar de acordo com o mercado.
Nada contra os tarifários indexados. Em determinadas circunstâncias podem ser vantajosos.
Mas apercebi-me de que aquilo que me tinha levado a escolher a G9 tinha desaparecido:
previsibilidade;
preço fixo;
simplicidade.
A partir desse momento comecei a fazer aquilo que todos os consumidores deveriam fazer regularmente:
voltar a comparar o mercado.
A importância de fazer contas
Durante a análise percebi algo curioso.
Muitas pessoas perguntam:
"Qual é a empresa mais barata?"
A pergunta está errada.
A questão correta é:
"Qual é a empresa mais barata para o meu perfil de consumo?"
Uma família de quatro pessoas terá necessidades diferentes de um casal.
Uma pessoa com carro elétrico terá necessidades diferentes de alguém que utiliza apenas iluminação, televisão e eletrodomésticos básicos.
No meu caso:
2 pessoas em casa;
potência contratada de 5,75 kVA;
consumo médio mensal na ordem dos 281 kWh.
Foi com estes dados que comecei a comparar propostas.
Descobri que também tinha potência a mais
Outro aspeto que raramente é discutido é a potência contratada.
Muitos consumidores têm 5,75 kVA ou até 6,9 kVA sem realmente necessitarem.
Ao analisar os equipamentos que utilizo habitualmente, concluí que dificilmente necessito de uma potência tão elevada:
termoacumulador;
forno;
micro-ondas;
máquina da roupa;
máquina da loiça;
televisão;
iluminação.
Como estes equipamentos raramente funcionam todos ao mesmo tempo, decidi reduzir a potência para 4,6 kVA.
A poupança mensal pode parecer pequena.
Mas quando multiplicamos por 12 meses, percebemos que vale a pena.
A escolha da Goldenergy
Depois de comparar várias opções, decidi aderir à Goldenergy.
As razões foram simples:
preço competitivo;
tarifa fixa;
ausência de fidelização;
débito direto e fatura eletrónica;
redução da potência para 4,6 kVA.
Será a mais barata para sempre?
Provavelmente não.
E esta é outra lição importante.
O objetivo não é encontrar a empresa perfeita.
O objetivo é encontrar a melhor opção disponível num determinado momento.
Cinco conselhos para consumidores
1. Compare regularmente
O mercado energético muda frequentemente.
Uma opção excelente hoje pode deixar de o ser daqui a seis meses.
2. Leia as comunicações das empresas
Foi precisamente uma comunicação da G9 que me alertou para a alteração das condições.
Muitos consumidores ignoram estas mensagens.
3. Analise a potência contratada
Pode estar a pagar mais do que precisa.
4. Compare a fatura anual e não apenas o preço do kWh
A potência, os descontos e outros elementos também contam.
5. Não tenha medo de mudar
Mudar de fornecedor é hoje um procedimento relativamente simples.
Conclusão
Esta experiência reforçou uma convicção que tenho há muitos anos:
A felicidade também passa por tomarmos decisões informadas.
Numa época em que o custo de vida preocupa tantas famílias, dedicar algumas horas à análise das despesas domésticas pode produzir resultados muito interessantes.
No meu caso, bastou questionar, comparar e decidir.
E talvez essa seja a principal mensagem deste artigo:
Não aceite automaticamente aquilo que lhe oferecem. Compare. Pense. Escolha. E, se necessário, mude.
Lisboa, 23 de julho de 2026.
Jorge Humberto Dias



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