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Mudar de comercializador de eletricidade 3 vezes em menos de 1 ano

Atualizado: 27 de jul.



Nos últimos meses vivi uma experiência que muitos portugueses acabam por enfrentar: a procura da melhor solução para a eletricidade de casa.

Comecei por ser cliente da Galp, mudei depois para a G9 e, mais recentemente, decidi aderir à Goldenergy. No meio deste percurso, confirmei uma conclusão que gostaria de partilhar: o consumidor informado tem muito mais poder do que imagina.


A ilusão da fidelidade


Durante muitos anos, grande parte dos consumidores manteve-se no mesmo fornecedor de energia por hábito. Não porque fosse o mais barato, mas porque mudar parecia complicado.

Hoje sabemos que não é assim.

A mudança de comercializador é gratuita, não implica cortes de energia, não exige alterações técnicas na instalação e pode ser feita em poucos dias.

Foi precisamente por isso que decidi analisar a minha situação.


Da Galp para a G9


Ao comparar as minhas faturas, descobri que a Galp me estava a cobrar um preço global da energia significativamente superior ao que encontrei posteriormente na G9.

Na prática, a G9 apresentava um custo por kWh bastante mais competitivo, permitindo uma poupança relevante ao longo do ano. citeturn9search2turn2search1

A mudança correu bem e durante alguns meses fiquei bastante satisfeito com a decisão.

Aqui fica uma primeira lição:

Não devemos avaliar uma empresa pela notoriedade da marca, mas pelos números concretos da nossa fatura.

O que diziam realmente as minhas faturas


Como filósofo, valorizo os argumentos. Como consumidor, valorizo os factos. Antes de tomar qualquer decisão, fui comparar os números das minhas faturas.

Empresa

Energia (€/kWh)

Potência (€/dia)

Galp

0,1567

0,4332

G9

0,1348

0,4252

Goldenergy

0,1399

0,4499*

* Potência contratada de 4,6 kVA.


A primeira conclusão foi surpreendente: a diferença entre a Galp e a G9 representava cerca de 14% no preço da energia consumida.

A segunda conclusão foi ainda mais importante: a poupança não depende apenas do comercializador, mas também da potência contratada.


Galp


Na minha última fase como cliente Galp, o preço global da eletricidade era:

  • Energia: 0,1567 €/kWh

  • Potência: 0,4332 €/dia (5,75 kVA)

A própria Galp indicava na fatura que, comparando com a tarifa regulada, eu teria pago mais 7,37 € sem taxas e impostos.


G9


Quando mudei para a G9 encontrei um tarifário muito mais competitivo:

  • Energia: 0,1348 €/kWh

  • Potência: 0,4252 €/dia (5,75 kVA)

Além disso, a própria empresa informava que, naquele período, eu estava a pagar cerca de 4,96 € menos do que no mercado regulado.


Goldenergy


Quando a G9 comunicou que deixaria de disponibilizar tarifários fixos e passaria a disponibilizar apenas uma modalidade indexada ao mercado OMIE, decidi voltar a analisar o mercado.

A minha escolha foi:

  • Goldenergy Digital;

  • potência reduzida para 4,6 kVA;

  • débito direto;

  • fatura eletrónica;

  • ausência de fidelização.

O tarifário contratado apresenta aproximadamente:

  • Energia: 0,1399 €/kWh;

  • Potência: 0,4499 €/dia (4,6 kVA).

Ou seja, o preço da energia é ligeiramente superior ao da G9 promocional, mas continua significativamente abaixo do que eu pagava na Galp.


Quanto poupei?


Com um consumo médio anual de cerca de 3.372 kWh, a diferença entre a Galp e a G9 representava uma poupança próxima dos 74 € por ano apenas na componente da energia.

E isso sem considerar futuras poupanças decorrentes da redução da potência contratada.


Quando uma boa escolha deixa de o ser


Poucos meses depois recebi uma comunicação da G9.

A empresa informava que deixaria de disponibilizar tarifários de preço fixo e que os clientes passariam a ter acesso apenas a uma modalidade indexada ao mercado ibérico de energia (OMIE).

Ou seja, o preço passaria a oscilar de acordo com o mercado.

Nada contra os tarifários indexados. Em determinadas circunstâncias podem ser vantajosos.

Mas apercebi-me de que aquilo que me tinha levado a escolher a G9 tinha desaparecido:

  • previsibilidade;

  • preço fixo;

  • simplicidade.

A partir desse momento comecei a fazer aquilo que todos os consumidores deveriam fazer regularmente:

voltar a comparar o mercado.


A importância de fazer contas


Durante a análise percebi algo curioso.

Muitas pessoas perguntam:

"Qual é a empresa mais barata?"

A pergunta está errada.

A questão correta é:

"Qual é a empresa mais barata para o meu perfil de consumo?"

Uma família de quatro pessoas terá necessidades diferentes de um casal.

Uma pessoa com carro elétrico terá necessidades diferentes de alguém que utiliza apenas iluminação, televisão e eletrodomésticos básicos.

No meu caso:

  • 2 pessoas em casa;

  • potência contratada de 5,75 kVA;

  • consumo médio mensal na ordem dos 281 kWh.

Foi com estes dados que comecei a comparar propostas.


Descobri que também tinha potência a mais


Outro aspeto que raramente é discutido é a potência contratada.

Muitos consumidores têm 5,75 kVA ou até 6,9 kVA sem realmente necessitarem.

Ao analisar os equipamentos que utilizo habitualmente, concluí que dificilmente necessito de uma potência tão elevada:


  • termoacumulador;

  • forno;

  • micro-ondas;

  • máquina da roupa;

  • máquina da loiça;

  • televisão;

  • iluminação.

Como estes equipamentos raramente funcionam todos ao mesmo tempo, decidi reduzir a potência para 4,6 kVA.

A poupança mensal pode parecer pequena.

Mas quando multiplicamos por 12 meses, percebemos que vale a pena.


A escolha da Goldenergy


Depois de comparar várias opções, decidi aderir à Goldenergy.

As razões foram simples:


  • preço competitivo;

  • tarifa fixa;

  • ausência de fidelização;

  • débito direto e fatura eletrónica;

  • redução da potência para 4,6 kVA.


Será a mais barata para sempre?

Provavelmente não.

E esta é outra lição importante.

O objetivo não é encontrar a empresa perfeita.

O objetivo é encontrar a melhor opção disponível num determinado momento.


Cinco conselhos para consumidores


1. Compare regularmente


O mercado energético muda frequentemente.

Uma opção excelente hoje pode deixar de o ser daqui a seis meses.


2. Leia as comunicações das empresas


Foi precisamente uma comunicação da G9 que me alertou para a alteração das condições.

Muitos consumidores ignoram estas mensagens.


3. Analise a potência contratada


Pode estar a pagar mais do que precisa.


4. Compare a fatura anual e não apenas o preço do kWh


A potência, os descontos e outros elementos também contam.


5. Não tenha medo de mudar


Mudar de fornecedor é hoje um procedimento relativamente simples.


Conclusão


Esta experiência reforçou uma convicção que tenho há muitos anos:

A felicidade também passa por tomarmos decisões informadas.

Numa época em que o custo de vida preocupa tantas famílias, dedicar algumas horas à análise das despesas domésticas pode produzir resultados muito interessantes.

No meu caso, bastou questionar, comparar e decidir.


E talvez essa seja a principal mensagem deste artigo:


Não aceite automaticamente aquilo que lhe oferecem. Compare. Pense. Escolha. E, se necessário, mude.


Lisboa, 23 de julho de 2026.

Jorge Humberto Dias

 
 
 

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